Aprendemos a ser bem-sucedidas, não necessariamente realizadas

Você é esforçada, disciplinada e executa como ninguém o que lhe é esperado. Aliás, você frequentemente supera as expectativas. 

Você seguiu à risca tudo o que lhe foi dito que era preciso para ter sucesso: 

Estudou, fez uma boa faculdade, se especializou e sempre tem bons feedbacks em relação ao seu trabalho. Como consequência, você nunca pediu por uma promoção, elas simplesmente acontecem.  

Você conquistou nossa tão sonhada independência financeira e, cheia de orgulho, começou a ajudar aqueles que mais ama como forma de retribuir um pouco do que lhe foi dado.

E mesmo que às vezes você se aperte um pouquinho, você adquiriu o poder de comprar tudo o que sempre sonhou: jantares bacanas, viagens internacionais, maquiagens importadas, roupas, carro... 

Enfim você chegou naquele lugar que parecia tão tão distante na época em que ia pra facul de "brusinha" e rasteirinha nos dias de calor. 

Você desejava tanto esse lugar... A sensação que você tinha era que, ao chegar nele, teria zerado a vida! Teria, definitivamente, se tornado um mulherão da poha!

Eis que chegou e, mesmo montada no salto e trabalhada na maquiagem, você ainda não sente aquela realização que esperava alcançar... Sei lá, parece que sempre falta um algo mais e, com o passar do tempo, a felicidade de conquistar ao novo dura cada vez menos. 

Tem gente que fala que a vida é assim mesmo, que você tá reclamando de barriga cheia e que deveria ser grata por tudo o que tem. 

Esses comentários fazem você até se sentir culpada... Mas tudo o que você queria era se sentir verdadeiramente útil e realizada. 

Seu maior medo é chegar no final da vida e perceber que ela foi em vão, que você só viveu para construir os sonhos dos outros, que poderia ter deixado um legado e ser um exemplo de alguém que fez a diferença, mas preferiu deixar para depois e só despertou quando já era tarde demais. 

Esse medo gera uma inquietação aí dentro, você sente que precisa fazer algo, mas

FAZER O QUE, MEU DEUS?

 

Nas redes sociais só se fala de propósito e gratidão... O que te deixa ainda mais angustiada, afinal

"COMO EU DESCUBRO O MEU PROPÓSITO?"

 

São tantas informações vagas e pontos de interrogação que surgem em sua mente que você prefere focar sua atenção para pesquisar: qual a nova tendência de maquiagens, decidir se vai ou não se tornar vegana, ou ainda se vai entrar pra turma do Pilates ou do Crossfit... 

Afinal, encontrar respostas para essas perguntas é muito mais fácil do que entender a si mesma, já que nunca nos ensinaram a fazer isso... 

Se você chegou até aqui deve ser porque se identificou com pelo menos parte do que descrevi. Talvez você esteja com a impressão de que eu falei da sua vida... Mas o fato é que eu só sei de tudo isso, porque eu vivi tudo isso! 

Hoje eu posso afirmar que sou uma profissional muito realizada. Se minha vida é fácil? Nem um pouco! Mas eu me sinto útil e fazendo a minha parte para a construção de um mundo com mais consciência e protagonismo feminino. Só que isso só foi possível quando eu me permiti parar de procurar fora e passar a procurar dentro! 

Eu sei que você deve ter a tendência de valorizar mais cursos e conteúdos que desenvolvem competências técnicas, ferramentas ou outras coisas que você consegue mensurar, ao invés daqueles que trabalham o autoconhecimento. 

Eu sei porque já estive aí...

Eu lembro quando estava no mundo corporativo e um Coach Executivo fez uma reunião de vendas e falou que o processo desenvolveria competências comportamentais e que dependeria mais de mim mesma do que dele para dar resultado. 

A única coisa que eu pensei foi: como eu vou comprar uma coisa que eu não vejo e que depende mais de mim pra dar certo? 

Se dependesse de mim, eu não compraria, mas meu gerente comprou e me deu a oportunidade de me desenvolver - um "empurrãozasso" do Universo para que eu iniciasse minha jornada de autoconhecimento. 

Foi assim que, meio que forçadamente, eu comecei a olhar para dentro e encontrei as peças que estavam faltando para dar sentido à minha vida! 

Eu não sei se o Universo vai te dar esse empurrão também. Talvez você precise tomar essa decisão sozinha e, se você for mão de vaca que nem eu, poderá pensar:

mas esse negócio custa muito caro! 

 

E eu te digo: 

  • Quanto custa viver uma vida sem paixão pelo que se faz?
  • Quanto custa viver para construir apenas o que faz sentido para os outros e não para você?
  • Quanto custará chegar no final da vida e se arrepender por ter tido a oportunidade de fazer diferente, mas a ter desperdiçado? 

Eu sei quanto essas coisas custam para mim... Quanto elas custam para você só você poderá dizer!